A
geodiversidade merece tanto o nosso respeito como a biodiversidade. Em Portugal,
o tema tende a ser negligenciado, tanto a nível académico ou escolar como
cultural. No entanto, devemos considerar sempre uma em estreita ligação com a
outra, como partes de um todo. J. Brilha (2005), considera a geodiversidade como
o suporte essencial para a biodiversidade. Pela análise das leituras propostas,
verifico que vários autores que procuraram definir o conceito de
geodiversidade, surgido por volta dos anos 90, de acordo com Gray (2004),
partilham a ideia de que a geodiversidade pode ser descrita como a diversidade de
fenómenos geológicos e geomorfológicos de uma área definida (Johansson,
2000). Ora, esta area definida estende-se ao longo de todo o Planeta Terra, a
nossa casa, também conhecido como o terceiro calhau a contar do Sol. Tudo o que
conhecemos está assente nesse calhau, todos os seres, humanos, animais,
plantas, rochas, a água em todos os seus estados, os ventos, paisagens idílicas de nuvens
ou prados verdes, fenómenos naturais arrebatadores, e toda uma variedade de ambientes que a Natureza
em todas as suas vertentes nos proporciona.
Se a
geodiversidade integra todas estas formas e composições extraordinárias que nos
definem como seres humanos, social, cultural e economicamente desenvolvidos ao
ponto de sermos tecnologicamente capazes de mudar a face deste planeta que nos
alberga (não necessariamente de forma positiva), como pode esta ser ignorada
pela sociedade em geral, pela política mundial e pelos programas de conservação
ambiental até há tão pouco tempo?
A biodiversidade,
notavelmente considerada por Brilha como estando "definitivamente condicionada pela geodiversidade",
ocupa, por sua vez, um lugar de destaque maior em detrimento da geodiversidade.
Pegando no exemplo das paisagens idílicas que facilmente reconhecemos pelo
mundo fora, seria possível conceber este mundo se apenas existisse uma delas? De
que valeria tanta diversidade geológica e geomorfológica, se não existimos nós, a Biodiversidade?
Com efeito, coloco estas questões numa fase em que estou ainda a processar os conteúdos
programáticos disponibilizados, como ponto de partida para uma pesquisa mais aprofundada,
a desenvolver nos próximos posts. Proponho-me ainda uma ligação ao tema do meu
blogue, procurando informação sobre a presença do lince ibérico, a minha mascote, em algumas grutas da zona de
Lisboa há milhares de anos, porque a biodiversidade existente na geodiversidade
da época eram propícias à sua existência, em presença e em directa competição com
os humanos por alimento…(Valente, 2004).
Referências
bilbiográficas:
Brilha, J.
(2005). Património Geológico e Geoconservação - A Conservação da Natureza na
sua Vertente Geológica. Braga: Palimago
http://w3.ualg.pt/~mvalente/publicacoes/Valente2004a.pdf,
visitado a 17/11/2019.
https://www.nasa.gov/image-feature/nasa-earth-data-helps-scientists-to-understand-our-home-planet/, visitado a 18/11/2019.
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